Enfim, e oficialmente, marido e mulher!

Sivuca da tipografia

Escrito em July 14th, 2009 por Ele | Categoria: Casamento não dá gear | Comente este post. »
Sivuca barbarizando sua máquina de escrever viking!

Sivuca barbarizando sua máquina de escrever viking!

Por intermédio de um amigo fomos hoje a uma pequena oficina tipográfica no bairro Santa Efigênia para escolher os papéis e orçar a impressão de todos os convites. Queremos algo diferente dos convites padrões, quadrados e sem graça que vendem a granel por aí. Emburacamos bairro a dentro no meio da tarde na espectativa de uma reunião rápida, só pra apontar os nomes dos papéis e levantar o custo da impressão de tudo que precisamos.

Chegando lá fomos recebidos por uma espécie genérica de Sivuca Viking bizarro, muito cortês e interessado. Nosso anfitrião além de ter os dedos completamente retalhados pela labuta diária, ainda ostentava uma respeitosa barba branca, trajando camisa vermelha e calça azul. Subimos por um corredor e fomos até a salinha de recepção da pequena tipografia. As instalações eram simples mas a conversa era alto nível. O pessoal ali entende de tipografia e estavam aptos a dar conta de qualquer tecnologia que precisássemos. Um clima bairrista, artesanal, mas que não deixava nada a desejar em relação a mega produções. Me pareceram bem competentes no que se propunham a fazer.

Um catálogo de amostras foi posto na mesa, abrimos o notebook com a prévia digital do convite e o tempo começou a contar. Da prototipagem do convite, escolha dos papéis, dezenas e dezenas de cálculos que minha cabeça se recusou a tentar entender, ao momento em que tivemos que recolher nossos queixos do chão depois de finalmente conseguirmos algum orçamento pra nossa demanda, se passaram mais de 2  horas. E o orçamento tinha 3 dígitos. Diante da cifra de $910 dinheiros para impressão e produção de um convitinho simples, praticamente baseado numa folha de papel A4 cujo único fru-fru era um papel perolado, ouvi meus bolsos rosnando e senti como se num soluço involuntário meu inexistente útero se contraía querendo finalmente expelir um miasma que só ali percebi que parasitava meu organismo.

Na tentativa de pechinchar um desconto ou um valor mais de acordo com nosso orçamento ouvi a célebre frase vinda do Sivuca “Manbearpig” Carson:

“Sua felicidade tem preço? Tira o escorpião do bolso, rapaz!”

Pensei comigo, já pegando os óculos escuros e os pedaços de papel espalhados sobre a mesa, se estava ali comprando um terreno com vista para um lago, ou se estávamos escolhendo um novo carro, ou quem sabe até ponderando a possibilidade de aceitar um puta emprego no exterior sob o preço de ter que abrir mão da família e amigos para alcançar a felicidade pessoal e profissional. Mas não, era só papel mesmo. Daria um convite lindo, mas que no final das contas só vai servir pra informar data, hora e local da cerimônia e depois vão rasgados pro lixo ou viram pano de fundo de doodles sem talento de uma conversa ao telefone.

Já com toda tralha embaixo dos braços e a caminho da porta, ganhamos de brinde pela nossa visita 2 caprichosos bloquinhos para anotações, feitos com um dos papéis que tinhamos escolhido para o convite. Saímos de lá sorrindo nervosos, aflitos… desesperados pra dizer bem a verdade. No carro a caminho de casa, depois de discutirmos se daria pra imprimir o convite em papel de saco de padaria chegamos ao consenso de que vamos ter que optar por papéis e acabamentos bem mais simples.

Felicidade realmente não tem preço. Mas convites de casamento sim.



Leave a Reply